Mario Nhardes
 POETA

Todos dormem,
Somente eu permaneço.
Ouço o vento,
O relógio na parede.
Ouço tudo, ouço o mundo.
Lá fora, carros no silêncio,
Pessoas em murmúrio,
Cães latem.
Eu aqui meio cansado,
Negocio o sono a um bom preço.
Teço, envelheço.
Corto a branca celulose
Com meu laser azulado.
Penso fazer algo importante,
O desejo provoca meus nervos.
Minhas pálpebras
Roubam o que escrevo,
De sono, padeço.
Levantar devagar, me ajeitar,
Recompor-me desse peso.
Livre do sonho,
Adormeço.

 

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