E de minha janela vejo o sol
E ele entra por ela sem pedir
Ou fazer cerimônia.
E de minha janela vejo a grande mangueira,
O pé de canela, outras casas
Iguais e indiferentes à minha.
E de minha janela vejo pessoas,
Vejo os vizinhos, outros que não conheço,
Outros que sempre vejo, mas não sei quem são.
E de minha janela posso ver quase tudo,
Quase todo mundo.
Minha janela, meu mundo.
Tão pequena, tão quieta,
Tão suspeita e indiscreta,
Minha janela.
Falta o mar, falta a montanha,
Falta a mata, a cachoeira,
Falta tanta coisa.
Talvez por isso, venha a tristeza
À tardinha ou a qualquer hora que seja.
E mesmo que eu veja o que dela não consigo,
Não terá o mesmo brilho,
O mesmo sentido.
Minha janela, meu mundo.
Procuro trazê-la sempre aberta,
Pois quando fechada,
Meu mundo se fecha.