Mario Nhardes
 MEDO

Meu peito se enche
De um grande vazio.
É chegada a hora.
Minhas pernas tremem,
Meu coração bate solitário.
A respiração fi ca lenta,
Quase esqueço de respirar.
Meu corpo gela.
Minha cabeça fica leve,
Não me decido sobre
O que pensar.
Vem um cansaço profundo,
Uma vontade de me entregar.
Não há saída,
Estou preso.
O medo me engole por inteiro.
Esboço uma alternativa,
Uma atitude.
Mas estou imobilizado feito presa
No casulo de uma vida.
E esta teia que me envolve,
Cega meus instintos,
Mina minhas forças.
O que faço é acomodar-me.
Conformar-me com esta sina.

 

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