Em pensamento eu fui seu,
E seu amor foi todo meu.
E neste mesmo pensamento
Que habita toda dor
Em saber que a realidade
Que eu sorvia
Era apenas fantasia.
Esta descoberta
Dissipa-me
E me toma o sonho
Que é só meu
Em pensamento eu sou eu
E minhas amarras se despedem.
Sacia minha angústia
Sua doce alegria, minha, somente
Minha é a tua companhia.
E neste incansável pensamento,
Sofro, emudeço-me, em saber
Que só de sonho me aqueço.
Tocar-te a pele que
Queima-me os olhos,
Sentir seu aroma
Tangendo-me a alma,
Corrompendo meu sangue.
Ultrapassar o abismo,
Pular o muro, romper
O espaço, zombar dos laços,
Sentir a vida no calor
Dos seus braços.
Meu delírio, meu deleite,
Meu martírio. Na convulsão
Do que sinto, a impossibilidade
Da matéria, da crua vértice.
Então fatigado me visto
Despindo de meus sonhos,
Assumindo minhas amarras,
Meus medos,
Minha falta de você.