Mario Nhardes
 ESPELHO

Indignado com o que vejo,
Pasmo com as notícias,
Esboço uma reação.
Meu peito se enche em discursos,
Palavras bonitas,
Juras de ódio,
Desejo da verdade.

Paro.
Sistematicamente, paro.
Meu desejo se confunde,
Minha ação me põe à prova,
O que tenho feito?

Julgar alguém alheio,
Sem enxergar
Meus próprios feitos.
Que exemplo eu carrego,
Que vícios me perseguem?

De repente,
Nas notícias me vejo,
De formas diferentes,
Mas do mesmo jeito.
De repente,
Meus inocentes atos,
Ilícitos atos, pueris,
Mostram-se julgados,
No noticiário da TV.

 

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