Flor que perfuma meu ser
Que alegra meus olhos
Que brilha ao sorriso meu
Que me inspira e me completa
Flor que toma de mim o pólen
Que o leva a boca e engole
E com a boca em pólen
Beija-me do meu próprio eu
Flor que aprendi a cativar
Que na saudade me faz sonhar
Que nos dias tristes está lá
Inteira, ao menos queria estar.
Flor que ao cetim inveja faz
Onde palavras perdem o lugar.
Na suavidade de tuas pétalas
Encanta-me e me faz amar
Flor que conheço de ti
Toda planta, mas me vigiam
E não posso te amar
Por isso me calo, sofro
Flor que a brisa ousa brindar
Que o ciúme me toma a caçoar
Mesmo ferido, de certo ofendido
Por não ser eu, o ar
Sinto teu cheiro, cheiro de flor
Cheiro que sinto inteiro
Em meu corpo faz o caminho
Que por certo sinto sozinho
Eis que chove, abraça-te forte
Nem neste instante perdes a cor
Daqui da vidraça, perdido no desejo
A vejo, linda, só minha
Que me houvessem fones e fios
Linhas ou trilhos, que me
Ouvissem os astros e rompessem
A muralha de vidro
Sinto por perdê-la
Por acordar e não vê-la
A janela continua fria
O jardim permanece calmo
Não sei se foi você quem desapareceu
Que desejou fugir e fugiu
Ou se fui eu quem mentiu
Que sonhou, mas do sonho se esqueceu.