Se eu fosse engenheiro
Não projetaria muros,
Não desenharia portões,
Não alocaria bancos bem
Distribuídos pelas praças.
Se eu fosse engenheiro
Não me iludiria com a matéria,
Não projetaria mundos,
Não confinaria em mármore, sentimentos.
Não disciplinaria a liberdade.
Se eu fosse engenheiro
Seria um permanente poeta,
Projetaria livres percursos para o vento,
Abriria enormes espaços,
Não haveriam janelas nem portas.
Se eu fosse um engenheiro poeta,
Projetaria um mundo de árvores,
Desenharia para elas, redes
Que nelas dois corpos se juntassem.
Do pó retomaria a pedra e dela a verdade.