Sem medir, sem dizer,
Sem querer ou pretender.
Vem como que de repente,
Como espirro da gente.
Um aperto no peito,
Um vazio de inveja,
Um passar por entre
O amor e a simpatia.
Um sem querer pedir desculpas,
Um sem querer ofender,
Sem pedido de desculpas,
Se há de manter a saudade.
Saudade que insiste em incomodar
Mesmo quando se vê,
Mesmo que dure o infi nito,
O instante de ter.
Saber que existe o outro,
E este outro merecer.
Saber que sou todo,
Eu e você.
Num dia fresco de chuva,
A lembrança esfola o jeito,
E todo jeito há de existir,
Um meio de ver você.
Sem pedir, me cativa
Sem querer, sou refúgio,
Sem saber, me entrego,
Sou eu, sou você.