Mario Nhardes
 AMIZADE

Sem medir, sem dizer,
Sem querer ou pretender.
Vem como que de repente,
Como espirro da gente.

Um aperto no peito,
Um vazio de inveja,
Um passar por entre
O amor e a simpatia.

Um sem querer pedir desculpas,
Um sem querer ofender,
Sem pedido de desculpas,
Se há de manter a saudade.

Saudade que insiste em incomodar
Mesmo quando se vê,
Mesmo que dure o infi nito,
O instante de ter.

Saber que existe o outro,
E este outro merecer.
Saber que sou todo,
Eu e você.

Num dia fresco de chuva,
A lembrança esfola o jeito,
E todo jeito há de existir,
Um meio de ver você.

Sem pedir, me cativa
Sem querer, sou refúgio,
Sem saber, me entrego,
Sou eu, sou você.

 

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