Mario Nhardes
 A HISTÓRIA DE AGAPANTOS

Meu nome é Rusimário Bernardes, sou nascido e criado em Patos de Minas, cidade do interior de Minas Gerais. Mário Nhardes é meu pseudônimo. Sou uma pessoa calma, tranqüila que gosta de observar e compreender as pessoas, as coisas ao meu redor. Sempre fui muito tímido e isso me encaminhou para a observação, para escutar mais que falar. O que não significa que sou calado. Quando me ponho a conversar, se deixarem, não paro.

Quando criança, adotei as três primeiras letras do meu nome e sobrenome em minhas brincadeiras de fundo de quintal. O nome “Rúsber” tornou-se conhecido por grande parte dos meus amigos. O que restou do nome, “Mário Nardes” acabei transformando em Mário Nhardes.

Sempre imaginei fazer algo de relevante usando o nome Mário Nhardes e acabei por encontrar uma razão na publicação de minhas poesias. Se foi usado de forma relevante ou não, talvez eu nunca saiba, mas ao menos foi uma tentativa.

Como a maioria das crianças, comecei a fazer meus primeiros versos na escola primária incentivado pelas professoras. Sempre tive ótimas professoras, a começar por minha mãe que foi, sem dúvida alguma a maior professora da minha vida. Foi sentado na varanda de casa, na presença de minha mãe que escrevi minha primeira poesia que teve alguma repercussão na escola e entre os amigos: Telefonema. Isso foi em 1984 e eu estava com 14 anos de idade.

De lá pra cá escrevi várias poesias. Muitas se perderam no tempo, nos cadernos velhos que ficaram pelo caminho. Em 2000 decidi escrever meu livro de poesias. Ao passo que pesquisava as possibilidades de publicação de um livro, ia tecendo algumas linhas. O caminho duro de se publicar um livro me fez desistir. O custo exorbitante, a dificuldade na divulgação, a inexistência de financiamentos específicos, a recusa das editoras pela linha poética... Eram grandes obstáculos, não resisti. Fiquei algum tempo com essa ideia adormecida, porém, vez ou outra, ainda escrevia algum poema.

Em 2008 retomei o projeto num momento de puro desespero. Estava desempregado, perdido, em uma depressão moderada, sem dinheiro, sem rumo algum. Tentei inúmeras alternativas para dar um pouco de alento à minha família, dado as circunstâncias nada favoráveis, mas não encontrei saída. Tinha que publicar meu livro. Seria uma possível alternativa financeira e um elixir para os meus males.

Fiz uma seleção do material que tinha e enviei ao meu grande amigo Lívio Soares a quem pedi que verificasse o conteúdo e desse sua opinião. Aguardei com entusiasmo e preocupação. O Lívio foi muito profissional e me deu tudo por escrito. Umas duas ou três folhas de sua avaliação que me deram a certeza que havia de publicar o material. Não que ele tenha dito isso, mas naquele momento, apenas um “Não gostei” me impediria de partir para a publicação.

Tomei todas as providências, contatei inúmeras editoras, fiz vários orçamentos, avaliei a qualidade gráfica de cada uma até encontrar a All Print. Foram uns seis meses de negociação e fechei negócio. Não tinha um centavo para pagar a editora. A minha ideia era parcelar no cartão de crédito, dar um jeito de conseguir a primeira parcela e receber os livros. Fiz uma relação de amigos e conhecidos próximos que me dariam garantia de venda do livro para quitar ao menos as duas primeiras prestações.

No momento de fechar o pagamento e enviar a primeira parcela descobri que não seria possível usar o cartão de crédito a não ser que eu fosse pessoalmente à editora. Não havia possibilidade alguma naquele momento. Inacreditável. Depois de tanto esforço, não resultaria em nada.

Já quase conformado, lembrei de um grande amigo, Evando Rodrigues, irmão de coração, que estava indo muito bem em Uberlândia, a uns 200 quilômetros de Patos de Minas. Na oportunidade ainda não sabia que ele tinha saído recentemente da empresa onde já estava trabalhando há um bom tempo e, pra não ficar parado, tentava a sorte em um empreendimento próprio. Liguei e pedi o dinheiro emprestado. Ele aceitou na hora. A felicidade foi tanta que imediatamente mudei as informações no livro e acrescentei o meu amigo como mecenas do projeto.

O meu primeiro beijo, esse seria o nome do meu livro de poesias, já estava quase todo formatado quando minha filha disse que esse título já poderia existir. Fiz uma pesquisa rápida na Internet e verifiquei que realmente haviam outros livros com nomes bem similares. Estava instalado mais um empecilho. A editora entrando em contato pra fecharmos os detalhes finais e eu sem nome para o título. Lembrei de uma observação do Lívio Soares sobre um nome que ele havia gostado muito no livro, Agapantos. Não tive dúvidas, já estava solucionada a questão.

Quanto a capa, já tinha a ideia na cabeça. Pensava em formar um lábio utilizando o título do livro. Foi quando solicitei auxílio do Manoel Almeida que me surpreendeu com o resultado final do projeto gráfico da capa. Ficou muito além das minhas expectativas. Gostei muito. Agora sim, Agapantos já estava pronto para ser impresso.

Quando recebi os exemplares da editora não acreditei. Ficou exatamente como havia planejado. Gostei muito do resultado final. Agora era só avisar aos amigos e começar a vender os livros. Imediatamente dei prosseguimento na finalização do site de divulgação de Agapantos e o nhardes.com/marionhardes ficou pronto em uma semana. Destinei cem exemplares de Agapantos para distribuição a título de divulgação. Avisei a todos os conhecidos, amigos, coloquei Agapantos em dois pontos de vendas na cidade, a editora disponibilizou a venda em seu próprio site e em sites de parceiros, tudo estava caminhando como previsto.

Algumas surpresas desagradáveis me aguardavam.

De quatrocentos livros que pretendia vender nos primeiros três meses, apenas cinco livros foram vendidos. Os amigos e conhecidos que esperava, comprassem o livro por curiosidade, incredulidade ou até mesmo por solidariedade, em muitos casos, desejavam receber Agapantos de presente. Alguns até se sentiram menosprezados por não terem ganhado um exemplar de Agapantos.

Dos cinco livros vendidos, não recebi uma única linha de comentário que demonstrasse a leitura de Agapantos por completo. Em muitos casos a capa era o tema dos comentários, quando existiram. E para completar a situação, descobri que meu amigo mecenas que havia me emprestado o dinheiro para pagamento da editora, estava desempregado e investindo todo seu dinheiro no novo negócio. Apesar de ele não ter dito uma palavra sobre isso, eu precisava devolver o dinheiro imediatamente.

Não esperava uma venda expressiva dentro da família, porém a expectativa por uma movimentação nesse sentido e até mesmo na divulgação de Agapantos era grande. Com exceção de minha mãe que foi muito presente e me deu muita força, no geral a movimentação da família foi extremamente tímida e frustrante.

A minha estratégia de marketing se mostrou ineficiente e bastante falha. Assumi todo o trabalho, mesmo não tendo nenhuma experiência nessa área. Não havia como o resultado ser diferente.

Muito poucos se interessam por poesia, dos que têm interesse, poucos se animam a adquirir livros de poesia e muito menos a adquirir um livro de poesias de um autor desconhecido. Foram dias difíceis no princípio, porém agora estou mais conformado e não carrego nenhum tipo de expectativa sobre vendas e retorno dos valores empregados.

Diante de tantos reveses em minhas expectativas, passo a questionar o próprio conteúdo de Agapantos. Guardo comigo a sensação de que haveria de ter dado mais atenção na avaliação de Agapantos feita por meu amigo Lívio Soares.

Escrever um livro e publicá-lo se mostrou um grande desafio, um ato esclarecedor e de um aprendizado único. Agapantos tem sido muito mais do que uma reunião de minhas poesias, mas sobretudo uma grande lição. Através de Agapantos tenho aprendido muito a meu próprio respeito e do universo que envolve pessoas e livros.

   MÁRIO NHARDES ®  2008 - POLÍTICA DE PRIVACIDADE
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